Glossário de Crítica Textual

Glossário de Crítica Textual elaborado pelos estudantes do componente curricular Filologia Românica III (Iago Gusmão, Queila Santos, Dayane Silva), do curso de Letras/UEFS, ministrada pelo professor Patrício Barreiros, no semestre 2015.2.

Bibliografia Material

“Um campo de conhecimento análogo ao da codicologia é a bibliografia material, que consiste no estudo da técnica do livro impresso.” (CAMBRAIA, 2005, p. 29).

Codicologia

“A codicologia consiste basicamente no estudo da técnica do livro manuscrito (i. é, do códice). Esse termo, que tem sua paternidade reivindicada por Dain (1975: 76), é empregado atualmente, porém, em um sentido mais estrito do que aquele postulado por quem o cunhou. Dain (1975 : 77) considerava como missões e domínio da codicologia a história do manuscrito, a história das coleções de manuscritos, investigações sobre a localização atual dos manuscritos, problemas  de catalogação, repertórios de catálogos, o comercio dos manuscritos, sua utilização, etc., sendo do escopo da paleografia o estudo da escrita e da matéria escriptória, da confecção do livro e de sua ilustração, e o exame de sua “arquitetura”; mas obras mais recentes tendem a redistribuir as tarefas dos dois campos do conhecimento mencionados: Lemaire (1989 : 3) postula dever a codicologia fixar-se sobretudo em compreender os diversos aspectos da confecção material primitiva do códice.” (CAMBRAIA, 2005, p. 26).

Crítica Textual

“No que se refere à expressão critica textual, costuma-se emprega-la em língua portuguesa como designadora do campo do conhecimento que trata basicamente da restituição da forma genuína dos textos, i. é de sua fixação ou estabelecimento.” (CAMBRAIA, 2005, p. 13).

Crítica Textual

[…] pode-se entender a Crítica Textual (Filologia stricto sensu) como um feixe de práticas de leitura, interpretação e edição que, a um só tempo, consideram como objetivo, de modo indissociável, língua, texto e cultura. Tem por objetivo a compreensão e estudo dos processos (i) de produção das práticas de cultura escrita; (ii) de transmissão histórica dos textos; (iii) de circulação social do texto, (iii) recepção e reconfigurações que uma dada época constrói para o texto […] (MCKENZIE, 2005, apud BORGES; SOUZA, 2012, p. 21).

Diplomática

“Pode-se definir basicamente a diplomática como estudo de documentos (em especial, os jurídicos). Deve-se entender aqui por documento, em um sentido estrito, toda noticia escrita de algum acontecimento.” (CAMBRAIA, 2005 – p.25).

Edição

[…]Conjunto de operações filológicas necessárias para escolher, fixar e anotar um texto, inédito ou édito, preparando-o para a publicação num determinado circuito de leitura – isto é, para o oferecer a um tipo caracterizador de leitor.(DUARTE [1997-], verbete, apud BORGES; SOUZA, 2012 p. 27).

Edição Crítica

Para sua realização, cumprem-se todas as etapas do método filológico: recensio, collatio, emendatio, stemmacodicum, constitutivo textos. O trabalho se completa com a apresentação última de um texto, único, com determinadas características gráficas e tipográficas, e a organização de um aparato de variantes, alinhado à esquerda ou no rodapé da página, espaço que, além de mostrar as variantes que circulam entre o público e o leitor, também possibilita ao leitor conhecer o processo de decisão do editor, envolvendo-o no processo crítico, ao que se podem acrescentar, em um segundo aparato, anotações de caráter histórico, cultural ou linguístico que considere o editor. (BORGES; SOUZA, 2012, p. 28)[…] reprodução do texto autógrafo (quando existe) ou do texto criticamente definido (pela operação de constitutiotextos) como mais próximo do original (quando este não existe), depois submetido às operações de recensão (recensio), colação (collatio), definição do estema com base na interpretação das variantes (estemática), definição do testemunho base, elaboração de critérios de transcrição e de correcção (emendatioopecodicum ou emendtioopeingenii). Todas estas operações devem ser devidamente justificadas e explicadas (annotatio), e todas as intervenções do editor, com realce para as lições não adoptadas (do original ou dos testemunhos da tradição), devem ser registradas no aparato crítico. (DUARTE [1997-], verbete, apud BORGES; SOUZA, 2012 p. 28-29).

Edição Crítico-Genética

[…] A elaboração de uma edição crítica em uma perspectiva genética procurará trazer à tona o momento textual último, pelo menos no que concerne àquele processo de produção, de manipulação do texto pelo escritor, e, através do exame do texto, mostrar os caminhos da criação, a partir dos materiais autógrafos reunidos, definindo as marcas estilísticas, o ususscribendi, que, por sua vez, deverão fornecer subsídios para outras leituras ou conjecturas por parte dos estudiosos do assunto e até mesmo para a tomada de decisões do editor quando da fixação do texto crítico ou determinar a lição definitiva em face de uma lição alternativa. […] (BORGES; SOUZA, 2012, p. 29). […] que combina os objetivos e os métodos da edição crítica e da edição genética: por um lado, reproduz o texto que o seu responsável considera criticamente como contendo a ultima vontade do autor, registrando todas as intervenções do editor e, no caso dos textos já publicados e que originaram a tradição, elaborando um aparato de variantes da tradição; por outro lado, faz a recensão de todos os manuscritos relacionados com o texto, classificando-os, organizando-os e descrevendo-os, registrando em aparato genético as sucessivas alterações autorais, lugar a lugar e testemunho a testemunho, utilizando para isto um dispositivo técnico que permite ao leitor construir a génese do texto e, eventualmente no caso em que o texto não foi facilmente acabado pelo autor, fazer a escolha de cada uma das variantes alternativas (DUARTE [1997-], verbete, apud BORGES; SOUZA, 2012, p. 30).

Edição Diplomática ou Paleográfica

Segundo Pérez Priego, “a edição diplomática supõe uma pura e simples transcrição do texto antigo […] segundo permitem os modernos caracteres de imprensa e a composição tipográfica”, sendo a transcrição diplomática ou paleográfica “[…] utilizada, sobretudo, no caso de textos e documentos antigos que interessam do ponto de vista histórico ou linguístico” (BORGES; SOUZA, 2012 p. 32).reprodução tipográfica rigorosa da lição de um testemunho, conservando todas as suas características (erros, lacunas, ortografia, fronteiras de palavras, abreviaturas, etc.). Também se diz da edição paleográfica. Está a cair em desuso porque a reprodução fotográfica tem tomado o seu lugar (esta tem, contudo alguns inconvenientes também). (DUARTE [1997-], verbete, apud BORGES; SOUZA, 2012, p. 32).[d]escreve e reproduz mimeticamente, lugar a lugar e lição a lição, a universalidade que é o manuscrito – descreve as características dos suportes e dos instrumentos de escrita, da topografia dos fólios, dos hábitos caligráficos, das decorações; e reproduz o texto, transliterando-o, com a lição que ele tem no manuscrito, guardando-lhe a ortografia, as abreviações, a sintaxe, a variação interna, as lacunas, as repetições, enfim, tudo aquilo que faz dele um objeto único e irrepetível. (DUARTE (2007, p. 13, apud BORGES; SOUZA, 2012 p. 31).

Edição Fac-similar

[…] reprodução obtida por meios mecânicos [ou digital] […] de um texto manuscrito, impresso ou esculpido, cujo o testemunho se revela muito importante, do ponto de vista estético e filológico […] (DUARTE [1997-], verbete, apud BORGES; SOUZA, 2012, p. 33).

Edição Genética

Este tipo de edição inscreve-se no trabalho da Filologia como instrumento para ler e conhecer o processo de escritura, com o propósito de editar criticamente o textos, e enfoque na gênese textual. A edição genética, proposta no âmbito dos estudos da Crítica Genética, não tem a intenção de publicar o texto (produto), mas os manuscritos, pondo em evidência o trabalho do escritor (processo), realizando-se transcrições diversas: diplomática, linearizada ou mista (semidiplomática). (BORGES; SOUZA, 2012, p. 33-34).“[e]entende-se pelo termo ‘edição genética’ uma edição que apresenta exaustivamente, e na ordem cronológica de seu aparecimento, os testemunhos de uma gênese,” que busca “reproduzir um a um todos os manuscritos do protexto” (GRÉSILLON, 2007, apud BORGES; SOUZA, 2012 p. 34).[…] que apresenta sob forma impressa e na ordem cronológica do processo de escrita, o conjunto dos documentos genéticos conservados de uma obra ou de um projecto, anotados de modo a perceber-se o processo da sua escrita (DUARTE [1997-], verbete, apud BORGES; SOUZA, 2012 p. 33).

Edição Histórico-crítica

Quanto à edição histórico-crítica, de tradição alemã, Louis Hay (2007, p. 346) esclarece que a “distinção entre edições ‘histórico-críticas’ e edições genéticas baseia-se na escolha de seus procedimentos editoriais.” Ela, porém, estaria bem situada entre a edição crítica e a genética, destacando-se que, na atividade filológica, o manuscrito é abordado na pluralidade de suas significações, em uma perspectiva crítica e hermenêutica. (BORGES; SOUZA, 2012 p. 37).

Edição Interpretativa

edição crítica de um texto de testemunho único; nesta situação, o editor transcreve o texto, corrige os erros por conjectura (emendatioopeingenii) e registra em aparato todas as suas intervenções. [2] Edição de um texto de testemunho único ou de um determinado testemunho isolado de uma tradição, destinada a um público de não-especialistas: para além da transcrição e da correcção de erros, o editor actualiza a ortografia e elabora notas explicativas de caráter geral (DUARTE [1997-], verbete, apud BORGES; SOUZA, 2012 p. 31).

Edição Semidiplomática

Situa-se entre a interpretativa e a diplomática, sendo sua prática marcada pela ação menos interventiva que a interpretativa e mais interventiva que a diplomática. Comumente, faz-se pela intervenção do editor no sentido de desenvolver abreviaturas. (BORGES; SOUZA, 2012, p. 32).

Edição Sinóptica

[…] como afirma Pérez Priego (1997, p. 44, tradução nossa), “consiste na reprodução simultânea […] da transcrição diplomática de todos e de cada um dos testemunhos da tradição de uma obra.” O cotejo entre diferentes versões textuais, em confronto sinóptico, torna essa edição crítica e também histórica; nela, buscando-se demonstrar pontos em que tais versões se aproximam ou se afastam, trazendo notas e comentários que visam esclarecer os textos em seus múltiplos aspectos. (BORGES; SOUZA, 2012, p. 38).

Filologia

[…] conjunto de atividades que se ocupam metodicamente da linguagem do Homem e das obras de arte escritas nessa linguagem. Como se trata de uma ciência muito antiga, e como é possível ocupar-se da linguagem de muitas e diferentes maneiras, o termo filologia tem um significado muito amplo e abrange atividades assaz diversas. […] (AUERBACH, 1972, p. 11, apud BORGES; SOUZA, 2012, p. 18).

Modificações Autorais

“As modificações autorais são realizadas pelo próprio autor intelectual da obra.” (CAMBRAIA, 2005, p. 6).

Modificações Endógenas

“Já as modificações endógenas são aquelas que derivam do ato de reprodução do texto em si, ou seja, do processo de realização de sua cópia em um novo suporte material. (CAMBRAIA, 2005, p. 6).

Modificações Exógenas

“As modificações exógenas derivam fundamentalmente da corrupção do material utilizado para registrar um texto: tanto da matéria subjetiva (papiro, pergaminho, papel, etc.) quanto da matéria aparente (grafite, tinta, etc.). Isto significa que, mesmo que nenhuma cópia fosse feita de um registro original de punho do próprio autor, ainda sim a transmissão desse registro poderia sofrer modificações, pois furos no suporte podem criar lacunas que exigirão o trabalho do crítico textual para serem preenchidas.” (CAMBRAIA, 2005, p. 2).

Modificações Involuntárias

“Constituem modificações involuntárias aquelas que ocorrem por lapso de quem reproduz o texto. Esse tipo de modificação, conhecido tradicionalmente como erro de cópia, foi já objeto de diversos estudos, que procuram descrever e classificar cada categoria: tal empenho decorre da consciência de que a identificação da origem de um erro explica a natureza da distorção e evidencia como deve ser sanada da restituição da forma genuína dos textos.” (CAMBRAIA, 2005, p. 10).

Modificações Não Autorais

“Modificações não-autorais são as que ocorrem sem a autorização nem o conhecimento do autor, ou seja, são fruto da atividade de terceiros. Essas modificações podem ser subdivididas em voluntarias e involuntárias.” (CAMBRAIA, 2005, p. 7).

Modificações Voluntárias

“São modificações voluntarias aquelas que ocorrem por ato deliberado de quem reproduz o texto. A razão principal para esse tipo de modificação costuma ser a discordância ideológica, que se manifesta, via de regra, através de censura (politica, religiosa, etc.)” (CAMBRAIA, 2005, p. 7).

Paleografia

“A paleografia pode ser definida, de uma forma bastante básica, como o estudo das escritas antigas. Modernamente apresenta finalidade tanto teórica quanto pragmática.” (CAMBRAIA, 2005, p. 23).

Transcrição Diacrônica Linearizada

“Reconstituiu uma imagem das etapas sucessivas da escritura [as campanhas de escritura] (BIASI, 2010, p. 86; 85; 86)” (BORGES, 2012, p. 35).

Transcrição Diplomática

“Pouco codificada, bastante fácil de ler, ocupa muito espaço, mas é fiel à paginação. (BIASI, 2010, p. 86)”

Transcrição Linearizada Codificada

“Fácil de ler, econômic[a] em espaço, mas não respeita a paginação autografa. (BIASI, 2010, p. 85-86)”

Transcrição Semidiplomática Codificada (mista):

“Difícil de ler, ocupa muito espaço, mas respeita em parte a paginação autografa. (BIASI, 2010, p. 86)”.

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